Segunda oportunidade perdida
Um casal bósnio está a divorciar-se depois de descobrir que eram amantes um do outro na Internet. Segundo o Metro britânico, Sana, de 27 anos, e Adnan Klaric, de 32, encontraram-se numa sala chat utilizando os nicks «Sweetie» e «Prince of Joy».
Ambos achavam que tinham encontrado uma alma gémea com quem passariam o resto das vidas. O curioso é que ambos reclamavam dos mesmos problemas nos seus casamentos.
A verdade só foi descoberta quando combinaram um encontro. Agora, o casal está a divorciar-se e cada um acusa o outro de traição. «De repente, eu estava apaixonada. Era maravilhoso porque parecia que ambos estávamos presos ao mesmo tipo de casamento infeliz. Senti-me traída», disse Sana ao jornal. Para Adnan, «é difícil acreditar que Sweetie, que escreveu coisas tão maravilhosas, é, na verdade, a mesma mulher com quem me casei e que não me disse uma única palavra carinhosa durante anos».
In Portugal Diário, 07/09/22
Quando o que os afasta acaba por os unir
Quando o que os une acaba por os afastar
História curiosa que ilustra o que defendo calorosamente: amar não chega ...
Este casal amou-se na vida real e na virtual, o que por si só alerta para o cuidado que se deve ter em não se desvalorizar os pontos de identificação e de ligação que permitiram o estabelecimento de ambas as relações. Apesar disso, com base nas citações verificamos a existência de problemas de comunicação que condenaram as relações. No fundo, até eram capazes de identificar os problemas o mais difícil terá sido assumi-los no contexto da mesma.
Esquematizando e gerenalizando para outros tantos casais que tais:
Relação R - identificação dos sujeitos (referência a inúmeras características do outro como motor e/ou promotor dos problemas de casal, tentanto com isso conferir incompatibilidade de perfis, ignorando a mútua responsabilidade na construção e preservação da relação); ineficaz identificação dos problemas (no máximo a crítica pela crítica);
Relação V - identificação dos problemas (maior capacidade de nomeação e exposição, sem negligenciar o impacto intra e interindividual dos mesmos; dar nome aos sentimentos, associando-os a comportamentos); identificação restrita dos próprios sujeitos, com conteúdo seleccionado e forma inespecífica.
