27 março, 2011

Elizabeth Taylor pediu para chegar atrasada ao seu próprio funeral como parecia ser hábito seu e assim, quinze minutos da hora marcada chegou a diva.
Nunca tinha pensado nesse detalhe mas explorando a relação que tenho com os horários, imaginei-me morta a "ultrapassar" os vivos chegando como de costume antes do tempo.

23 março, 2011

Não é possível ...

Farta de tanto.

22 março, 2011

Só saí, sem ser para ir ao médico, uma vez desde que fui operada (tive que experimentar 10 pares de sapatos até entrar nuns que davam um andar razoável).
Por precaução levei uma muleta que andou pelo chão quando estava cansada ou debaixo do braço para treinar a minha marcha. Mais importante ainda foi a sua função protectora. As pessoas são umas selvagens: fui empurrada; estava a segurar na porta da casa de banho para entrar na ala das mulheres e umas senhoras aproveitaram e passaram; correram à minha frente quando abriu uma nova caixa de pagamento deixando eu de ser a primeira a ser atendida. No elevador tive que a colocar de forma atravessada porque ia "apanhando" com uma criança em cima.
Quando cheguei a casa, fui logo pôr os chinelos e percebi que tinha perdido um bocadinho de sangue no dedo onde foi tirado o sinal. Fiquei desmoralizada, não esperava uma semana depois e, fechei-me em casa à espera de ter um pé que entre num "sapato de cristal" e não ter um "pé de cristal" que não entra nos meus sapatos.

19 março, 2011

A propósito do dia do pai, o Pedro Ribeiro escreveu um texto no Jornal Metro onde faz referência a algo que me acontecia e acontece:
"Desde que nasceram que temos um ritual nas viagens de carro: eu estendo a mão para o banco de trás e eles agarram-me a mão, à vez, às vezes rindo outras nada dizendo".
O meu pai fazia sempre isso e, passei consoante as idades por diferentes reacções: a de tentar ser rápida a tocar na mão porque o sinal podia mudar a qualquer momento; o deixar o meu pai adivinhar se tinha sido eu ou a minha irmã a lhe tocar na mão; o sentir que era uma chatice ter que dar resposta aquela mão estendida; o pensar que aquele movimento de braços e mão devia ser incómodo; até termos deixado de andar os quatro no carro.
Há poucos meses finalmente percebi o bom que é fazer isso e, é frequente dar por mim a estender a mão ao M. ou se ele não me dá a fazer festinhas nas pernas enquanto aguardo pela mudança de sinal.
Não sou mãe e não serei pai mas sei o bom que é estar próximo e querer estar próximo podendo estar.

18 março, 2011

Como explicar a uma criança que os estores da sala tenham fechado por completo sozinhos quando só lá estávamos nós os dois e distantes da janela?
Como vão fazer a gestão de egos das duas grandes concorrentes que agora trabalham na mesma empresa? Não estou a falar das transferências que andam a ocorrer nas televisões nacionais mas em algo bem mais importante: a Leopoldina e a Popota!

17 março, 2011

Muito educativo

Liguei a televisão a meio da tarde enquanto fazia gelo e fiquei impressionada com o que vi em dois canais num movimento rápido de zapping. Enquanto que na sic a apresentadora esfregava alho nas mãos e usava diferentes estratégias para retirar o cheiro; na rtp1 um cozinheiro fazia um prato de borrego e estava no estúdio um borreguinho amoroso com um laço ao pescoço que tinha sido oferecido ao apresentador.
Pergunta: O borreguinho andava à procura do pai ou da mãe? Sentiu-lhe o cheiro?

Vamos voltar aos telefonemas esporádicos?

Cansa-me que todos os dias as mesmas pessoas telefonem a saber como está o pé. Pior ainda quando não atendo, insistem e telefonam novamente. Não varia muito de dia para dia ... não tenho muito a acrescentar.

Estou aborrecida

Três das coisas que mais gostava de fazer diariamente provocam desconforto:
. tomar banho sem molhar o pé é uma aventura
. arranjar posição na cama que não faça doer para conseguir adormecer (tudo roça, toca ou pesa)
. estar sentada no computador (grande tortura)

16 março, 2011

Diálogos Surdos - Parte XLVIII

- Avó vamos muito depressa para casa. Avó mais depressa, como um foguete! A tia precisa meu ajuda! *
* Reacção do meu sobrinho quando soube que a tia estava em casa com dói-doi
Quando esteve comigo resolveu fazer queridas festinhas (até me encolhi com receio embora tenha explicado que tinha que ser devagarinho) e assoprar enquanto dizia: Já passou!
No dia seguinte, mal me viu perguntou se já estava melhor.
Sinto-me um naco de carne devidamente assinalado. Isto depois de ter ido fazer o penso e ter visto os pontos e as milimétricas marcações das áreas cirurgicas.
Para uma vegetariana, foi uma visão bastante má.
O médico ficou admirado por ter visto o dvd mal cheguei a casa. Não o vi antes porque não tinha levado o computador.
Há uma coisa engraçada, quando descrevo o que se passou as amigas médicas são as únicas a pedir para eu não contar mais porque se sentem incomodadas e aflitas. Curioso ... muito!

15 março, 2011

"O fundo do mar cheio de penas"

Tudo aquilo que eu tinha medo, enfrentei a dobrar ou a triplicar (exemplo: começaram com 4 horas de atraso; só o terceiro catéter é que ficou fixo; levei 6 picadas de epidural e em vez de 3 horas de anestesia foram 10h com direito a algália). Aquilo que não me preocupava, correu lindamente e de facto era o mais importante. A sensação que tinha dias antes de que iria ser mais cortada do que os dois "furinhos" (amanhã vejo se são inhos ou não ...), confirmou-se e foi decidido tirar um sinal no mesmo pé que apareceu já depois do acidente e que eu já tinha alertado e nenhum médico me ouviu.
Estive sempre acordada (a sedação não fez efeito), com o passar dos dias começo a ter dúvidas se estive realmente mas pai confirma. Na altura não pensei "O que será que me estão a fazer?" apesar de ter pensado "Que horror, estou completamente nua à frente desta gente toda", tentava me esticar para ver o monitor e assistir à cirurgia mas a posição em que estava não permitiu. Contudo, fui presenteada com 15 minutos de dvd da cirurgia que é muito bonita. Percebi que sou ainda mais branca por dentro do que por fora e que a fibrose parecia um conjunto de penas. Muitas penas! Imensas penas! Penas e mais penas.
Saí do hospital a andar e movimento-me em casa sem muletas.
Se tive dores? Tive (muitas, ao ponto de escorrerem lágrimas) na zona do sinal quando já estava em casa.
Acreditem, as dores que tinha diariamente durante este ano e meio foram muito mais intensas do que as pós-cirurgicas (espero que continue assim).
O que penso disto tudo? Que não se admite deixarem uma pessoa andar assim. Mais um pouco e voava ...
Às senhoras que odeiam os seus rabos, tenho a dizer que ainda bem que o temos e que nos dá uma sensibilidade maior do que possamos imaginar. Estar deitada sem sentir o rabo foi das experiências mais estranhas que tive, quase que fiz uma interpretação delirante ao pedir a todas as pessoas que entravam no quarto para verificarem se o colchão tinha um buraco onde o meu rabo estaria enfiado e assim teria a sensação de estar a planar. O rabo dá-nos imensa estabilidade e confere bem os limites corporais, é preciso é encontrar o tamanho proporcional ;)

10 março, 2011

Preciso de um carsitter!

09 março, 2011

Aceitam-se apostas

Dos múltiplos médicos que me avaliaram, treze não encontraram nenhuma explicação para ter deixado de dobrar um dedo. Quem acha que com a cirurgia volto a dobrar? Quem acha que não volto a dobrar?

07 março, 2011

Iniciei hoje um curso online de algumas semanas. É extraordinário o que a tecnologia hoje em dia permite fazer. Já estudei as duas unidades disponíveis e descobri que sou a única estrangeira o que é óptimo porque terá avaliação contínua e assim nenhum conhecido saberá as minhas notas (hihih).

Curiosidade

O que é que os sociólogos têm a dizer da música que ganhou o Festival da Canção?
O pedido para não ter visitas parece ter sido bem divulgado mas agora há mais dois que tenho que fazer "esvoaçar": não quero flores (pelas razões já anteriormente comentadas); evitem dialogos do tipo "coragem // vai correr tudo bem // devias estar contente (este sim lixou-me por completo)", para quê fazer comentários ou dar palpites?! Falem do tempo que de tão incerto dá muito para conversar.
Por alguma razão eu não disse a data à maioria das pessoas mas ficaram a saber ...
No trabalho, como não apresento os motivos da ausência, recebo comentários como: "boas férias // boa sorte // vai casar?".

03 março, 2011

Tinha acabado de dizer à pessoa que "AINDA não fui ver o Cisne Negro" quando me conta o final. O que se faz a isto?!
Eu encolhi os ombros.

Quanto mais depressa, mais devagar

Ontem a caminho de casa senti "hoje vão bater no carro". A 500 metros de casa, aconteceu. Estava parada num sinal, era a terceira da fila para virar à direita quando aparece um carro da esquerda onde apesar de existerem duas faixas, dificilmente cabem 2 carros. Ao ouvir "somewhere over the rainbow" numa versão engraçada, sinto e vejo um carro a raspar no meu espelho. Fiz uso da buzina, meti os quatro piscas e tentei sair do carro para ver o estado. O outro estava tão em cima que não consegui sair e fiz sinal. O senhor avançou e encostou, fiz o mesmo e quando vou a parar ele arranca e o meu pensamento foi "ai que vou ter que fazer uma perseguição" e agarro o volante como se fossem as rédeas de um cavalo! Determinada em defender a "nova cria" e chateada pela miopia não permitir registar a matrícula, o carro acabou por parar novamente mais à frente.
Saí e disse descontraída: "Desculpe mas qual foi a necessidade?! Estávamos parádos e ninguém ia avançar!" Olhei para os pequenos danos do meu espelho e para os cerca de 50 cm de risco ao longo do comprimento do carro dele e disse: "Teve muito azar, este carro tem um mês e qualquer risco nota-se mais ...". Confiei nele, sobretudo por dizer que estava com pressa para ir buscar a filha (achei querido na altura mas depois percebi que havia futebol e pensei que queria ir buscar a filha para ver o futebol, lol), deu-me o contacto do telémovel e disse para eu testar o número e, fechei um bocadinho os olhos de modo a ver a matricula. Expliquei que tinha que mostrar o espelho a entidades superiores e ele disse que pagava tudo o que fosse necessário e ainda disse onde trabalhava. Vi o espelho de todos os ângulos, toquei, testei a parte electrónica e achei que não o ia fazer pagar um espelho novo por um risco e duas lascas.
À noite mandei mensagem a comunicar a minha decisão. O senhor (deve ser pouco mais velho do que eu) agradeceu e desejou felicidades para mim e para o carro.
Nota:
Acho que na decisão pesou uma coisa que passa despercebida a todos menos a mim: não podia rejeitar umas pequenas marcas no meu carro quando muito em breve vou ficar com marcas permanentes no tornozelo.

Será o que tiver que ser

Uma das razões porque não quero dizer qual o dia da cirurgia é que as pessoas atiram para cima as dúvidas e ansiedades delas e eu acabo por absorver sem haver necessidade. Não era preciso terem me colocado a questão de como vou fazer xixi no pós-operatório, se vou ter que ser algaliada. Quero lá saber!
Estou a evitar telefonemas de véspera potencialmente ansiogénicos. Quando andava na faculdade também na véspera das frequências, desligava o telemóvel mais cedo para não receber telefonemas do estilo "boa sorte // vai correr tudo bem // sentes que estás preparada?" - não ganhava nada com essas palavras, antes pelo contrário.

01 março, 2011

O que me preocupa?

- A dor não é. Tenho tido tanta ...

- Uma eventual reacção alérgica a algum medicamento.
- Como cresci com a ideia que comigo as coisas complicam-se, tenho receio que os dois furinhos (a estética deles desagrada...) se possam tornar insuficientes e seja necessário fazer um corte à séria.
- O catéter para administração EV.
- Acontecer alguma coisas a eles enquanto eu estou a cuidar de mim.

Agora só quero que os dias CORRAM uns atrás dos outros

Resolvi fazer uma lista de coisas a levar para o hospital e percebi que não há quase nada específico.
O melhor que consegui foram meias de diversas texturas e sempre bem acima do tornozelo para não baterem no penso e os grips para forrar a estrutura que felizmente guardei que resguarda a zona onde as mãos apoiam-se nas muletas.
Depois fui ao supermercado abastecer-me e pensei no que poderia precisar de lá para levar e mais uma vez nada. Veio um sumo de pêra que acho que me vai apetecer (lol) e um pano multiusos fuschia para o meu carro.
Nem sei que sapatos vou conseguir usar ...
Conclusão: Basta a camisa de noite (muito neutra) comprada nos últimos saldos de verão já a pensar na ocasião.
Apetece-me descansar mas não sei como isso se faz.
Ando sempre a fazer coisas com meses de antecedência misturadas com coisas inesperadas e de última hora.
Palm Springs Real Estate