24 julho, 2008
Finalmente
Agora sim, sinto-me menos esquilo quando como.
No próximo mês há mais e se bem me conheço vai ser pior por já ter expectativas surpreendentemente boas.
22 julho, 2008
É-me surpreendente a minha calma em situações graves como a de hoje em que a pessoa que foi ter comigo ao meu trabalho começou a se sentir mal e veio posteriormente a confirmar-se a minha suspeita de princípio de enfarto.
20 julho, 2008
Criar: seleccionar, reunir, juntar e formar
Na Feira de Artesanato do Estoril, este ano tive a oportunidade de fazer uma boneca de trapos num dos stands (Trapos e Trapalhadas).
Comecei por pensar em fazer um boneco de trapos para o meu sobrinho, fruto do desejo de lhe oferecer mais uma coisa única e especial mas quando foi a altura de escolher os tecidos meio "ratados" para as roupas, só encontrava tonalidades bem mais femininas e decidi avançar para uma boneca. Nessa altura pensei que podia ser uma namorada querida e ofecerer-lhe uma vez que estava ao meu lado a ver o meu entusiasmo e dedicação ...
Para não variar, não me limitei ao que me tinha sido sugerido, um vestido, arranjei algo muito semelhante a um poncho e lá ficou a boneca tal como eu com roupas bastantes coloridas. Em relação ao cabelo, agradou-me mais o estilo de rastas do que as lãs e lembrei-me de ter visto na enorme cesta dos tecidos umas partes de flores que acabaram por ficar no topo da sua cabeça.
No final, fiquei surpreendida e um bocado hesitante quando me pediram para lhe dar um nome que acabou por ser - Maria do Mar - devido à localização da feira em questão.
Aqui está a minha boneca, mais uma M:

Como me apeguei à minha "criação", ia deixando de ser a tal namorada querida por ter dificuldade em me separar dela e por isso sugeri a guarda conjunta mas com a condição de que se um dia algo de mal acontecesse à nossa relação a boneca passaria a estar sob a minha guarda de modo a evitar que a boneca de trapos se fosse transformar numa boneca de voodoo ;)
E assim chegou-se a um acordo!
17 julho, 2008
Arvorezinha que de Zinha não tem o tamanho mas sim a ternura
No último mês, a minha mãe e eu decidimos investir no antigo quarto da minha irmã e transformá-lo no quarto do M.
As duas juntas temos particularidades interessantes de pôr em prática aquilo que idealizamos, com métodos e estratégias muito artesanais mas funcionais.
De facto as núvens no tecto imaginadas por mim e concretizadas pela minha mãe ficaram deliciosas; entre outras coisas ...
Como área de intervenção, solicitei a parede que é constituída por um armário embutido e que tem quatro portas. Decidi desenhar uma árvore que depois de longe percebi que tinha adquirido proporções grandiosas mas que estava a servir o meu objectivo, a sua transformação numa árvore genealógica.
Para ser mais ilustrativo, achei por bem seleccionar e plastificar (para tocar à vontade) fotografias em que o M estivesse sempre acompanhado por cada um dos familiares e padrinho, tentando percorrer o seu desenvolvimento neste ano enriquecedor que passou.
A árvore tem duas extremidades no topo que pretendem ilustrar o esboço de um coração (não sei se alguém se apercebeu) e onde se podem encontrar uma fotografia do M no seu primeiro dia de vida e outra no dia do seu primeiro aniversário.
Cada eixo ficou destinado à distribuição da família materna e paterna, respectivamente. A distribuição das fotografias por galhos foi feita respeitando uma lógica impressa por mim.
Nas raízes bem envolvidas por uma relva verdejante, colei duas fotografias de diferentes fases em que se vê a mãozinha e mãozona dele apoiada na minha com uma frase que só nos sabemos a acompanhar ;)
Posteriormente, fiz a copa e preenchi o interior com suculentas laranjinhas. Na extremidade superior do armário, fiz um calorento sol e uma núvem.
Estava expectante quanto à sua reacção, com o passar dos dias e depois de ultrapassada a excitação inicial de querer ver e mexer em tudo no quarto, começou a relacionar-se com as fotografias fazendo festinhas enquanto sorria com aquele sorriso maravilhoso.
Se me perguntarem se ficou como imaginei, responderei que não porque efectivamente não tenho jeito nenhum para desenhar.
Se me perguntarem se traduz o que imaginei, responderei que sim porque efectivamente estão para já todos os elementos e figuras essenciais à sua vida passada e futura. Adorei faze-la!
E as minhas mãos, sujas ou não de tinta, continuarão sempre
disponíveis para o segurar, acarinhar e/ou celebrar com palminhas e give me five.
PS: Se alguém estiver a pensar ter um filho, sugiro um envolvimento mais personalizado no quarto do mesmo. Imagino pai e mãe numa envolvência que marcará não só a partilha da fase de gestação como posteriormente todo o espaço inicial que será o espaço de referência por excelência da vida do seu filho.
Pura emotividade
Hoje, espontaneamente inverteram-se os papéis e eu ofereci-me para o acompanhar esquecendo/negligenciando tudo o que me atormenta.
Dói quando se queixa da falta da expressão verbal do meu amor por si.
Ao fim de uma vida, ainda não percebeu que a minha expressão via comportamental é verdadeiramente mais intensa e melhor ilustrativa do que realmente sinto.
Fruta não é vegetariano?
Vi um pêssego careca com óptimo aspecto e depois de bem lavado decidi trincá-lo, coisa que raramente faço porque gosto de comer tudo com garfo e faca. Fiquei ali mesmo, na cozinha a deliciar-me enquanto me lembrei que uma vez em casa da minha avó, quando era muito pequena, a minha mãe cortou um pêssego e saiu um pequeno escorpião.
Passados uns segundos, vejo uma cabecinha preta a espreitar para o seu espaço devastado. Aquele pêssego não era para ser meu, já tinha como dono uma lagartinha nojentinha. E ali, naquele preciso momento acabou a minha degustação.
15 julho, 2008
12 julho, 2008
O que eu vejo (lol)
Já é o segundo sábado que apanho na rtp memória um concurso que achava piada ver, "Sim ou Sopas", quando era bem mais nova no qual se jogava em equipas de pais e filhos (acho que era essa partilha de objectivos que me fascinava). Fartei-me de rir quando vi que o primeiro prémio era um computador cheio de disquetes de jogos numa altura em que o que estou agora a fazer seria impensável, os restantes prémios eram bicicletas bmx.
O mais curioso é que para além de terem decidido fazer a sua reposição, optaram por o inserir num compacto de programas ao qual deram o nome de "o que eles viam". Essa designação faz sentir velha mas pior do que isso foi ver as roupas e os penteados dos concorrentes, da plateia e já nem se fala no apresentador (que bem que evoluiu o Manuel Luís Goucha!).
11 julho, 2008
Desejosa de o ver a andar sozinho
A ideia de o ver entrar e seguir o caminho que bem entender faz pensar em como o tempo passa e em como está a ficar crescido.
10 julho, 2008
Cronicidade
Hoje contaram-me que é mais frequente do que se julga fora do SNS, doentes oncológicos fazerem ciclos de quimioterapia (a duração, o intervalo, etc) definidos em função do rendimento que têm em vez do estágio da doença e de toda a sua história médico-clínica.
Isto deriva do facto de adquirirem o estatuto de doentes crónicos e consequentemente não conseguirem ter as mesmas regalias nas seguradoras.
Perante isto senti: indignação, revolta, frustração e impotência.
Com o evoluir da medicina e da esperança média de vida não acabaremos por termos todos uma doença crónica?
06 julho, 2008
05 julho, 2008
Diálogos Surdos - Parte IX
Na inauguração de uma exposição de fotografia:
Médico Anestesista: Está em jejum?
Retalhos: Hmm (de olhos bem abertos à espera de uma razão sustentável para a pergunta)
Médico Anestesista: É que se estiver, eu posso anestesiá-la.
Retalhos: Por acaso fui sujeita a anestesia há quinze dias e digo-lhe já que fiquei surpreendida com a acção imediata e posteriormente com a duração do efeito da mesma.
...
E assim, por força das circunstâncias consegui manter uma conversa que por si só não fazia sentido. Giro, giro era eu ter feito uma intervenção do género da do médico mas a partir da minha área profissional ;)
03 julho, 2008
Uma expressão de amor comovente
Era uma vez uma senhora de 88 anos, com saúde frágil há vários anos e evidentes sequelas neurológicas, que de tudo fez dentro dos seus possíveis para acompanhar os últimos meses de vida do seu marido que se viu debilitado a um ritmo galopante mas duradouro para o fim que se imaginava. Quando a sua única filha lhe comunicou o falecimento do marido o seu primeiro comentário foi:
Mas ainda ontem (tinha o ido visitar ao hospital, estando ele já inconsciente), estava tão bonito quando o vi.

