30 setembro, 2008
Fui persistente e acreditei na minha dor.
Mexi-me mais do que o médico e procurei os exames complementares de diagnóstico que me ajudaram a saber quais as causas da minha persistente e sistemática dor que me acompanha all day long.
O médico ainda não conhece o diagnóstico e eu ando à procura de um outro (ainda mais conceituado do que o anterior).
Custa-me que pessoas importantes tenham duvidado de mim ... é tão raro queixar-me ...
Dana-me quando agora os ouço agora dizer "eu é que tinha razão". Razão?! Onde?! Quando?!
A imagem de voltar a ser cortada por erro médico, acompanha-me sem ser necessário fechar os olhos para a aceder.
Tenho medo que por algum motivo toquem no nervo e possa ficar com alguma sequela, como as referidas como risco.
Dez anos a mentalizar-me para duas pequenas cirurgias e "toma lá que levas uma terceira em cima!"
28 setembro, 2008
Profissionalismo a toda a prova
Estava numa reunião quando reparo num pequeno insecto em cima da secretária, do estilo dos primos mais pequenos das joaninhas e, como tinha que escrever algumas coisas era inevitável os nossos olhares cruzaram-se. Mantendo a minha postura, estiquei a ponta da caneta com o intuito de "dou-te a caneta, dou-te a liberdade" e o espertinho subiu. Com toda a elegância mantendo sempre o meu discurso, levantei-me e meti o curioso do lado de fora da janela e voltei a sentar-me e a dar continuidade a todo o trabalho em discussão.
Não consigo matar nenhum bicho.
25 setembro, 2008
Voilá
Acordei com a seguinte imagem:
Todos (e olhem que são muitos) a andaram literalmente a patinar e agora que eu tomei a iniciativa de recorrer a outros recursos, reclamam todos o primeiro prémio de conhecimento e sabedoria, também designado por "caga sentenças".
Lamento mas esse prémido não estava em concurso mas sim o da persistência e coerência e esse estatuto foi atingido por mim e como prémio de negligência médica ganhei uma nova e mais delicada cirurgia.
24 setembro, 2008
Obrigada M, por existir e me ajudar a ultrapassar os momentos mais difíceis.
Obrigada M, por me teres dado o M.
23 setembro, 2008
22 setembro, 2008
Antes e Depois
Às vezes tenho a noção de que as pessoas não pensam de forma sequêncial, vou ilustrar com uma pequena passagem de um diálogo entre mim e uma secretária de um consultório médico (scm):
scm: O Sr Dr saíu mais cedo, há pouco tempo porque tinha que tratar de um assunto mas pode lhe telefonar agora.
eu: Desculpe, se saíu mais cedo porque tinha uma coisa importante e foi há pouco tempo não acha que estará ocupado neste momento e que não será conveniente telefonar agora?
scm: Ah, pois. Tente daqui a 30 minutos então.
21 setembro, 2008
Pequeno apontamento
Nessa ida a uma consulta num hospital, encontrei um amigo meu que andou comigo na escola e que está a tirar a especialidade no serviço onde me desloquei. Curiosamente mal entrei no corredor, cruzei-me com ele. Cumprimentámo-nos, perguntei se estava tudo bem com ele tendo recebido a mesma questão como retorno ao que respondi:
- Como deves imaginar, estar aqui não é bom sinal ...
Não se desenvolveu mais a conversa porque tinha à porta do gabinete a médica à minha espera.
Acham que ele enviou alguma sms ou email a perguntar por mim?
Resposta: Não.
Isto incomoda ainda mais porque se trata de um médico e numa altura em que saíram as médias inacreditáveis para medicina, é inevitável pensar que avaliam os conhecimentos mas não a sensibilidade, a capacidade de se colocar no lugar do outro, a empatia que são algumas das condições essenciais para o exercício dessa profissão.
"És igual a mim" (sic pai)
Há vários anos que esse comentário me acompanha e sem conseguir promover nenhum eco porque sei que sou muito mais parecida com a minha mãe do que com o meu pai e que a minha irmã é mais parecida com o meu pai do que eu, em ambas aplicam-se as semelhanças físicas e alguns traços de personalidade.
No outro dia, uma pessoa que não sendo da família mas que é mais familiar do que os restantes elementos assistiu a uma descrição feita por mim a um dos médicos que tenho agora o prazer de "visitar" e quando saímos fez o seguinte comentário:
- Apetece-me bater-te. Estou tão triste!
- Hmm?! (respondi eu com ar admirado porque não se tinha passado nada entretanto que se justificasse)
- Estás igual ao teu pai a falar! A forma como falas, os gestos. Estás igual a ele! Porque és assim?! (dizia ela desiludida)
Será que estou?
Será que sou?
Nunca tinha percebido ...
Cada boca, sua sentença
Entrámos numa fase em que cada um dá a sua sentença em relação às sequelas ainda permanentes da cirurgia. Como sinto o lado esquerdo todo dorido até ao ombro e já estou a desenvolver contracturas que tendem a descer pela coluna, devido a movimentos compensatórios inconscientes, recomendaram-me ir fazer uma massagem de relaxamento.
O espaço era simpático, agradável e parecia que estavamos distantes desta confusão diária contudo conseguir que eu me relaxe é à partida uma tarefa complicada.
Depois de ter estado numa sala denomindada por espaço de relaxamento onde preenchi uma pequena ficha sobre o meu historial clínico e o motivo da minha sessão de relaxamento passei por uma sala onde fiquei deitada no chão por cima de uma espécie de edredon e depois a senhora apareceu, apagou as luzes, acendeu uma vela e deu início ao seu trabalho.
Não me fez mal, nem bem. Fiquei gordurosa do óleo usado.
Colaborei, dizendo sempre qual o meu limite de movimentos devido à lesão mas sempre que ela fazia um comentário desconcentrava-me por completo pelo absurdo da banalidade que deve resultar com muitas pessoas mas não comigo, reconheço.
Estar naquele contexto e me pedirem para pensar nas células que estão boas e que vão combater a parte doente é um bocado rebuscado. Explicarem que estou doente porque provavelmente tenho que parar para pensar em mim quando tenho dezenas de pessoas que precisam de mim e que também me ajudam a abstrair da dor, conhecendo-me não é a melhor solução.
Houve outros comentários que entretanto já esqueci.
Espero que esses comentários associados à sua respiração abdominal bem audível ajudem quem por lá passa, sinceramente.
Consegui manter a compostura
Algures nesta semana, estava a pagar um parquímetro das máquinas mais modernas, situada numa das maiores e mais movimentadas avenidas de lisboa, que têm uma espécie de tampa que se levanta para retirar o ticket quando passou uma simpática ventania que me levou o papel pelos ares até ao meio da estrada. O sinal estava aberto para os carros, cada um que passava levava mais alto o meu comprovativo de pagamento. Parecia uma dança que me era difícil de acompanhar porque vejo mal ao longe mas fiz um esforço para nunca o perder de vista. Mal ficou verde para os peões, com uma vontade enorme de gozar comigo e com a situação em si, muito elegantemente fui buscá-lo e regressei ao carro.
Quem estivesse a ver deve se ter divertido imenso.
Nunca me tinha acontecido.
17 setembro, 2008
Ideias e aplicações
O que mandei fazer na retrosaria ficou exactamente como eu queria, acho que até ganhou em consolidação.
As próprias funcionárias que já estavam admiradas com o meu pedido, agora mostraram-se surpreendidas com o resultado final.
Assim, sim. Valeu a pena!
Mais um incentivo para se ser criativo e para se lutar pelo que imaginamos.
Desde muito cedo que quando imagino uma coisa, recorro às mais diversas técnicas para a pôr em prática, tornando-me um bocado obsessiva.
Se soubesse coser à máquina e tivesse uma, tenho quase a certeza que faria grande parte da minha roupa porque ideias não me faltam.
Ao escrever este post, lembrei-me que quando a minha irmã estava a fazer as provas de aferição para que estudasse melhor ("não consigo estudar ao saber que ela está no quarto ao lado", mesmo que eu estivesse quietinha) ocuparam-me com diversas actividades, entre elas um curso de estampagem de tshirts. Fiz algumas coisas engraçadas, inclusivé um pano muito comprido que acho que ficava lindamente em cima do meu caixão.
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Tenho que rapidamente desenvolver o meu esticar de mão para o passou-bem tradicional porque para além do senhor que me arranjou o carro, agora o electricista quando me vê também me vem cumprimentar de beijinhos. Logo eu que até nem sou nada destas coisas. Não faço mais nada ...
Agora lembrei-me que já fui melhor no esticar de mão mas devo ter bloqueado quando há uns meses estiquei espontaneamente para cumprimentar um senhor e só nesse momento é que reparei que tinha o braço direito amputado. Sei que agi com a maior das naturalidades mas foi constrangedor.
Quem é quem?
É muito raro andar de taxi mas esta semana tive que fazer uma deslocação e apanhei (devia ser, fui apanhada por) um motorista muito falador que me disse que não trabalha pelo dinheiro porque hoje em dia já não compensava mas sim pelo contacto que mantém com as pessoas. O senhor auto-denominava-se psicólogo, aliás "sou mais do que psicólogo" visto na sua perspectiva estabelecer contacto com pessoas muito diversificadas e gostar de ver o comportamento de cada um.
Achei piada à sua forte convicção.
E assim anda o nosso país.
16 setembro, 2008
Tamponada
Esta improvável longa recuperação pós-cirurgica tem me ajudado a me conhecer melhor. Aprendi que:
. tolero melhor a dor do que imaginava;
. sou pouco de me queixar;
. resisto ao cumprimento de terapêuticas medicamentosas;
. afinal até gosto de sopa, só descobri ao fim destes anos todos porque comecei a comer sopa fria e assim até que não é desagradável;
. o leite que nunca gostei, em batido de baunilha fica bem suportável;
. sou mais paciente do que aparento;
. dou benefício da dúvida apesar de sentir que o médico não sabe bem o que correu mal e está a implementar tratamentos sucessivos de modo a avaliar o sucesso de cada um e assim ficar a saber qual era o problema de base
. tenho maior capacidade de adaptação do que até então.
Afinal não só me tiraram.
Tenho me vindo a dar.
No tempo certo
Para não variar hoje fui mais cedo para o trabalho e quando estava já perto reparei em dois carros que tinham tido um pequeno acidente, foco a minha atenção na matrícula de um deles e percebo que era uma amiga minha. Parei de imediato o meu carro e fui dar assistência, ninguém se tinha magoado mas ela estava bastante nervosa pelo susto que tinha apanhado por ter levado literalmente com um carro em cima, pela esquerda num entroncamento e imagino que deva ter ainda pesado o facto do carro não ter três meses.
Cheguei lá, assumi o controlo de tudo com acordo de ambos. Preenchi a parte dela da declaração amigável, fiz a representação gráfica do embate (tenho um jeitaço, ui) e ainda obriguei o rapaz a escrever por extenso nas observações "declaro-me culpado". Nunca se sabe...
O rapaz não percebeu como eu tinha aparecido ali e referindo-se a mim dizia "a sua filha ...".
Chegámos todos atrasados ao trabalho, é um facto e possívelmente ele também ia para o mesmo local de trabalho que nós.
Resumindo: sinto que fui eficaz, parecia um general e acho que simultaneamente lhe transmiti tranquilidade.
14 setembro, 2008
Se conseguisse teria voado para aí
A reacção imediata foi perguntar no que podia ajudar mas no mesmo segundo eu própria dei a resposta: não posso ajudar em nada.
Remeti-me a uma imensa frustração que foi aumentando de intensidade à medida que ia sentindo o teu desamparo.
E nós aqui.
08 setembro, 2008
Familiares de e de e de
Por vezes dou comigo a pensar nos avós de pessoas com quem tive relações de amizade e que por diversas razões ocorreram afastamentos. Será que os avós estão bem? Será que estão vivos?
Espero que sim e que sim.
Nem esses amigos diluídos (ia escrever ex-amigos) devem pensar em mim e ando eu a pensar nas suas famílias ... acho isto inquietante.
Dar seguimento a posts anteriores
Pois bem, às vezes falo nas coisas e depois não dou conta do seguimento.
Em relação ao senhor simpático que me colocou o carro como novo, agora sempre que me vê vem ter comigo para me cumprimentar de beijinho e eu não consigo esticar a mão para o mais adequado cumprimento.
Falei no crescente interesse por um escritor e no desejo de ter um autografo, pois isso já aconteceu na semana passada e digamos que recebi muito mais do que aquelas palavras escritas à mão e com a minha caneta.
Ainda existe - Parte II
Hoje recebi o telefonema da dona da retrosaria a dizer que a costureira não estará cá esta semana e que há coisas que eu pedi que não se podem fazer mas assegurou supervisionar o trabalho para ficar de qualidade. Agora aumentou o interesse em ver o resultado.
07 setembro, 2008
Sem dúvida que me defendo
Quando os sentimentos gerados são os mesmos.
Quando as situações se repetem ao nível transgeracional.
Tudo se torna ainda mais insuportável.
06 setembro, 2008
Ainda existe - Parte I
No centro da cidade, entrei numa retrosaria com a ideia de pedir um serviço de costura um pouco fora do habitual para eles e fiquei surpreendida com o registo de vendas ainda em vigor.
Digamos que fui lá uma primeira vez, expliquei o que queria dando duas alternativas e pedi o orçamento para ambas. Nesse dia, registaram em dois papeis meio ratados o meu pedido.
No dia seguinte de manhã, telefonaram a dar os orçamentos e a dizer que só o podiam iniciar após cobrança do mesmo.
Passei por lá quando me foi possível e digamos que o registo foi ainda mais inacreditável: uma folha para a costureira; uma folha vinda de um bloco com papel químico que me foi entregue para depois levantar a encomenda e a cópia para eles; uma folha muito pequenina daqueles blocos amarelos com picotado; uma folha de registo de vendas também com papel químico.
Depois como é habitual pedi factura e quase que deram um salto com pedido tão invulgar (!) e como seria de esperar lá veio mais um papel e respectiva cópia.
Ao todo não faço ideia quantos blocos de vários tamanhos utilizam em cada compra no resgisto de venda.
A ideia que deu é que estão completamente parados no tempo e a desperdiçar papel a uma velocidade alucinante.
P.S: Nem vale a pena referir a dificuldade na síntese do pedido, na escolha das palavras e na escrita das mesmas. Vamos lá ver se fica como pedi ...
04 setembro, 2008
Thanks
Agradeço profundamente ao senhor da meteorologia hoje de manhã e a um dos muitos sites de notícias que acompanho antes de sair para o trabalho, terem referido que em Lisboa não ia chover.
À hora que saí tive que abrir o guarda-chuva que se encontrava perdido na mala do carro e que por sinal é raramente aberto no inverno; os sapatos abertos para andar naquela terra molhada e com ânsia de se tornar lamaçal ajudaram imenso.
Giro giro foi quando terminou o dia de trabalho e no meio de sol fazia-me acompanhar por um guarda-chuva que me parecia gigante.
