26 abril, 2011

Provocações a propósito dos quase 30

- Vou realizar a fantasia de namorar com uma trintona.

- Responderei a isso 111 dias depois!

Ossos do ofício, literalmente

É tão bom voltar ao trabalho!
A parte pior foi ver o fisioterapeuta a olhar para o pé sem querer dizer directamente que está com pior aspecto do que quando "o conheceu".

Quem me explica isto?

Ontem à tarde o meu pai disse para eu pôr voltaren no pé, disse que ia ver se tinha algo parecido e percebi que tinha um genérico cuja validade está a terminar. À noite o meu pai perguntou se eu tinha usado o voltaren e quando eu vou a responder "não", olho para a secretária que é o pólo central do meu quarto e vejo uma caixa de voltaren ainda por abrir ao lado dos papeis que tinha escrito ao longo da tarde.

24 abril, 2011

Diálogos Surdos - Parte L

- No outro dia indicaram um creme para a cara que se chama Y. Sabe me dizer se é o mais indicado ou recomenda outro?
- Para si é um creme de primeiras rugas!

(fiz um sorriso amarelo)

Já no carro: Primeiras rugas?! Devia ser o pré-rugas!

L: E pronto, isto já vai directo para o blog ...

- Era o que eu estava a pensar mas por outro lado, como não me conhecem vou criar uma imagem de mim assustadora!

Diálogos Surdos - Parte XLIX

Mãe: Conseguiste comprar tudo aquilo que querias no Pingo Doce?
Eu: Não ... só havia uma embalagem de scones muito feiocos. Não sei o que se passou mas alguém depenicou todos os scones de lá.
Irmã: Foste a qual? (com sorriso malandro)
Eu: Aquele entre as nossas casas.
Irmã: Então fui eu! Comprei todos os que havia e ainda me deram uns congelados para o lanche de anos.
Eu: Ah!

23 abril, 2011

4 anos

Não me lembro de como viviamos antes de ter nascido, só posso concluir que era uma vida muito desinteressante.
Esperei à porta da sala de partos com a minha mãe, o pai percorria o corredor do hospital de uma ponta a outra aguardando por notícias do seu bebé e da mãe. Sempre que ouviamos um choro pensávamos: "Será que é o Mzinho?"
Primeiro saiu o meu pai que fez uma cara de como nos dizia "É igual ao pai!", mais tarde veio sozinho no berço e passou por nós. A minha mãe exclamou: "É igual ao pai ..." e aqui a tia disse: "Que querido, está de olhos abertos bem atento, completamente sozinho no berçário à espera da mãe!".
Cada um vê aquilo que quer.

21 abril, 2011

Upside down

Ao me levantar o primeiro pensamento do dia foi "será que um dia vou ser mãe?". A minha mãe disse que queria ter o segundo filho antes dos 30 anos e conseguiu me ter com quase 30, a minha irmã foi mãe aos 30 e eu?
Aquilo que imaginava que teria aos 30 anos, não tenho. Aquilo que não pensei muito se teria, tenho. Criei sequências de objectivos que me parecem estar a limitar porque não conseguindo ultrapassar o primeiro acabo por nem avisar os seguintes e a frustração vai-se acomulando sucessivamente.
Será que devia fazer tudo ao contrário do que idealizei?

19 abril, 2011

Estar de baixa ...

Estar de baixa é sentir-me incapaz, incapacitada e nada produtiva para o mundo. Estar de baixa é perceber não quem se lembra de nós mas antes quem não se esquece de nós. Estar de baixa é ficar estupefacta ao saber que algumas pessoas ficaram ofendidas por não se ter anunciado aos sete ventos o dia da cirurgia, é ficar admirada com o afastamento das pessoas e o medo que têm em ouvir falar de dor, de sofrimento. Estar de baixa é sentir-se só numa dor complexa que ultrapassa e quase que anula aquilo que somos. Estar de baixa é desejar estarmos só para não nos sentirmos ainda mais falhados ao sabermos o que poderiamos ter feito, o que deveriamos ter feito, o que deviamos estar a fazer e tudo aquilo que não conseguimos efectivamente fazer. Estar de baixa é perceber que à medida que o tempo passa, as pessoas esquecem que lutamos contra o tempo que já passou e aquele que falta passar. Estar de baixa é fazermos os pensos mesmo que estes nos provoquem vómitos e agradecer a quem se oferece para os fazer. Estar de baixa é ter insónias, crises de choro e alguns momentos de desespero. Estar de baixa é ter incertezas, é avaliar momento a momento as decisões tomadas e é esperar pelas decisões que os médicos vão tomar por nós. Estar de baixa é vermos o nosso director e o abraçarmos num choro silêncioso que grita: não imagina o quão dificil é para mim estar longe. Estar de baixa é empenharmo-nos na nossa recuperação e fazer balanços semanais. Estar de baixa é sentir que a nossa disponibilidade é modelada pela dor e desconforto. Estar de baixa é percebermos que com o passar das semanas, o nosso sobrinho não entra em casa a gritar para perceber se estamos em casa porque já dá por garantida a presença da tia (apesar disso, abraça-me sempre). Estar de baixa é esforçarmo-nos por não nos arrependermos da escolha da data da cirurgia ao vermos que a recuperação está a ser mais lenta do que foi perspectivado pelo médico. Estar de baixa é ver a nossa vida ser re-adaptada.Estar de baixa é comparar o antes e o depois e o ficar preso num agora pouco definido. Estar de baixa é pensar nas pessoas para quem trabalhamos. Estar de baixa é frustração. Estar de baixa é excluirmo-nos do nosso dia-a-dia, é não nos cruzarmos com os mesmos carros desconhecidos a caminho do trabalho, não sabermos que daqui a três segundos o sinal muda e apanhamos os seguintes todos verde, o não entrar no elevador e dizer "bom dia" e ninguém responder (até isto faz falta). Estar de baixa é perceber que as sms que recebemos são menores porque já não servimos para aquelas coisas divertidas de antes. Estar de baixa é dizer ao nosso sobrinho que não conseguimos andar até aos baloiços e ele assoprar para o pé e dizer que o "dói-dói já passou". Estar de baixa é ver a nossa autonomia reduzida. Estar de baixa é ter vontade de dizer às pessoas tudo aquilo que pensamos sobre elas por sentirmos que nem nos maus momentos são verdadeiramente amigas. Estar de baixa é não sentir o prazer de se estar a trabalhar, de se sair depois da hora de saida do trabalho com o desejo de fazer mais. Estar de baixa é refutar a ideia de que se tem tempo para tudo porque o tempo escapa entre as dores, os tratamentos e a quebra do nosso rendimento. Estar de baixa é aguentar, suportar e acreditar. Estar de baixa é tentar alargar progressivamente os limites por minimos que sejam. Estar de baixa é mais uma dor.
Para quem raramente faltou à escola, nunca faltou à faculdade é extremamente dificil estar no segundo período de baixa pelo mesmo motivo, longe do local de trabalho onde curiosamente se teve o acidente.

02 abril, 2011

Enorme carinho em pequenos frasquinhos

Todos os dias, ao vivo ou por telefone, o meu sobrinho pergunta se ainda tenho dói-dói e quando respondo afirmativamente, avança com outra pergunta: Mas está mais pequenino?
Fico um bocado incomodada porque não sei o quanto isto o confunde ou perturba. Desde o inicio mostrei os diversos tamanhos de pensos que fui tendo para ele ver que de facto estava mais pequeno e já mostrei sem penso e ele não valorizou, espero que esta sequência tenha o ajudado.
Ontem, o safadinho estava cansado e não queria andar mais e começou a dizer que tinha um dói-dói no pé. Olhou para mim e perguntou qual dos pés é e deu mais enfase à sua queixa, apontando para o lado esquerdo à minha imagem e semelhança. Não satisfeito, começou a coxear exactamente como eu. Fiquei admirada com tanta capacidade de observação e de imitação. Ele fez exactamente o apoio de pés que faço.
Pelo meio, quando eu disse que já não conseguia andar mais: assoprou para o pé e disse que já tinha passado e que inclusivé eu já podia correr.
A concretização deste pensamento mágico, seria fantástica e podia ser comercializada em pequenos frasquinhos.

Uma pata choca com uns turbo

Após uma semana de intensa fisioterapia, o pé já começa a ser pé mas ainda está longe de ser o pé que preciso.
O fisioterapeuta aconselhou a andar sempre de ténis que tenham suporte plantar. Como devem imaginar eu não tinha ténis em casa, não usava e não gosto de ver. Na adolescência usei os clássicos Keds (sempre sem atacadores), All-star e os Redley - escolhas que ilustram projectos de ténis e não verdadeiros ténis.
Como cumpridora e maior interessada na recuperação, fui de imediato à procurar de uns que tivessem essas caracteristicas mas que tinham que ser igualmente discretos.
O meu lado feminino já tinha sido abalado por ter deixado de usar saltos altos, tendo partido para sapatos rasteiros que me fazem sentir uma pata-choca e agora com ténis! Nestes últimos anos, passei a me vestir de baixo para cima: via se pé estava inchado, se ia chover ou não e escolhia o sapato adequado e só depois a roupa toda (muito desinteressante).
Se tenho que usar mesmo ténis, tinha que encontrar uns especiais e consegui (são pretos e queria castanhos mas não fizeram nesta colecção, parte chata): uns easytone da Reebok, são simples e dão pouco nas vistas e, segundo consta tonificam os músculos das pernas e do rabo (mesmo que seja placebo, facilitou o aceitar andar por aí de ténis). Antes de começar a usar, mostrei ao fisioterapeuta que aprovou. São muito confortáveis, parece que ando nas nuvens.
Ah, dei uma gaffe. Queixei-me que desde a queda sou baixota e não reparei que o fisioterapeuta tem menos 8 ou 10 cm do que eu. Ups!
Não querendo ser ofensiva para ninguém visto não vos conhecer nem saber qual a vossa história médico-cirurgica, digo que me sinto um pouco monstrinha Frankenstein.
Era um orgulho tão grande dizer que nunca tinha partido nada nem ter sido operada e numa só escorregadela tive direito a quebrar esses dois orgulhos. Ainda bem que não são coisas graves nem incapacitantes e isso claro que agradeço a quem de direito.
O que sinto é que uma vez feito o primeiro corte, os seguintes vêm mais depressa (sim, em mim mete um bocado nojo). As janelas de abertura para a artroscopia são bem pequenas quando comparadas com os instrumentos todos que lá entraram e espero que fiquem em forma de uma mancha branca discreta. O dedo pequenino é que levou um corte que me parece ter 1cm o que para um dedo pequenino é enorme. Não cicatrizou por completo mas os pontos tiveram mesmo que ser tirados. Se vissem o tamanho do sinal, ficavam espantandos com a profundidade do mesmo. Descrevo o sinal como um ponto preto, daqueles que fazemos quando deixamos cair uma caneta do estilo esferográfica (não pensem que era caneta de feltro!). O que me tranquiliza é pensar que o dedo pequenino, tortinho e feinho foi suturado por um cirurgião plástico. Na última consulta, aproveitei e mostrei um alto que me apareceu na cabeça há mais de um ano e que nunca tinha mostrado a ninguém e a resposta desse médico foi: minha filha, temos que voltar ao bloco - yes, after summer,please.
Percebem porque digo que uma vez iniciado, um processo aberto ...
Nota: Cuidado com novos sinais nos pés.
Quando a ventoinha do computador começou a fazer barulho, tinha acabado de passar o prazo de garantia de dois anos pelo que fui aguentando estoicamente trabalhar e viver com este barulho. Estando de baixa, com pouco contacto com o movimento exterior incluindo barulhos este foi ficando progressivamente mais dificil de suportar mas a presença do computador era cada vez mais forte para trabalho e para não me isolar ainda mais do mundo. Ganhei coragem e fui ao local onde o computador foi comprado e explicaram que esta "família" veio com defeito na ventoinha e a garantia tinha sido prolongada por mais 6 meses: estava dentro da nova garantia! Deram o contacto directo do representante e no dia seguinte vieram cá buscá-lo levando-o a viajar pela europa, tendo para grande espanto meu, regressado três dias depois silêncioso, limpinho e com oferta de pano para limpar do estilo do que nos dão para os óculos mas maior e com um plástico a proteger o exterior.
Enquanto estive sem ele, consegui trabalhar no velhote que me ajudou a fazer todos os exercicios para o curso online com sede em espanha, apesar de não me deixar enviar emails. Um outro foi me emprestado pelo meu pai para suprir essa e outras faltas (e.g. um office mais actual).
Moral da história: adiar não vale a pena!
Palm Springs Real Estate