Duas crianças ficaram órfãs de pai e mãe, duas perderam a mãe e outra o pai. O número de vítimas ainda podia ter sido maior, se populares não tivessem ajudado no socorro.A tragédia começou a desenhar-se por volta das 17h00. Na praia estavam três famílias inglesas e uma alemã, com sete menores. Três crianças (duas inglesas e uma alemã) não resistiram ao calor e decidiram ir tomar banho, junto a uma rocha, a meio da praia. Desconheciam que a zona é perigosa, com fundões e correntes fortes. Não demorou muito a ficarem em aflição.Apercebendo-se da situação, os pais das crianças em risco não pensaram duas vezes e lançaram-se à água. O mesmo fez uma mulher, de outra família que também estava na praia.
Mas o mar estava traiçoeiro e o pai e a mãe das duas crianças inglesas – de apelido Fry – foram ‘agarrados’ pelo mar e afogaram-se. As crianças – um menino e uma menina, de 8 e 10 anos – foram salvos por populares. Perderam, no entanto, os pais e estão já a receber apoio psicológico, providenciado pelas autoridades. O pai da criança alemã ainda conseguiu resgatar a filha com vida. Presume-se que, depois, tenha voltado a entrar na água, para ajudar as outras pessoas em dificuldades. Acabou por morrer.Perdeu ainda a vida uma senhora inglesa, amiga da família das duas crianças britânicas, que se lançou à água para tentar ajudar.
In Correio da Manhã, 23 Outubro de 2007
«A tragédia aconteceu devido à irresponsabilidade deles [dos turistas] e ingenuidade, mas também devia haver placas a avisar que a época balnear terminou em Setembro, em várias línguas», defendeu hoje Daniel Salvaterra, nadador-salvador e monitor de uma escola de windsurf em Sagres.
O windsurfista, que saiu da praia pouco antes do acidentes trágico, teceu duras críticas ao parque Natural da Costa Vicentina, por apenas colocar nas praias informação sobre a fauna e flora locais e esquecendo-se de avisar que a zona é «super perigosa». (...) Segundo o nadador salvador, se os turistas não tivessem entrado em pânico e nadado contra a corrente, provavelmente teriam sido devolvidos à costa pelo mar e não se teriam afogado.
«Eles foram irresponsáveis, mas parece que ainda vai ter de morrer muita gente até se fazer qualquer coisa», lamentou Daniel Salvaterra, defendendo que a época balnear devia ser prolongada até Dezembro.
In Portugal Diário, 23 de Outubro de 2007
Espero que este senhor, no pouco tempo livre que deve dispor, não se dedique à psicologia.