27 novembro, 2010

Greve ou grave?

Não falei na greve mas tenho algumas considerações a tecer:
. se por um lado houve muitos prejuízos, de certo modo o não pagamento do dia terá ajudado na busca de um reequilibrio - "vocês tiram-nos e nós damos do nosso"
. centro comerciais como o colombo estavam cheios o que revela a enorme congruência entre "estamos em luta contra os cortes orçamentais" e "bora lá aproveitar para fazer compras de Natal"
O que gostaria de saber:
. avaliação da poluição e ruído em comparação com uma outra quarta-feira
. quais os prejuízos financeiros reais
. dados do SIBS
O que me irrita solenemente:
. consultas médicas adiadas - por exemplo, obstetrícia em que foram remarcadas para um mês depois como soube de um caso concreto em que a grávida esteve de repouso por risco de aborto e ia ser avaliada nesse dia e na remarcação de consulta já estará noutro trimestre
. cirurgias adiadas
O que não fizeram naquele dia vão acabar por fazer mais cedo ou mais tarde e talvez num contexto de maior sobrecarga ou tensão.
Não tenho nada contra, só me parece não se tratar da melhor forma de demonstrar descontentamento e preocupação.
Em relação ao meu trabalho: implementei uma postura antecipatória que visava não sentir o meu trabalho boicotado. Curiosamente saíu pouco prejudicado e quando o foi, deveu-se ao sector dos transportes.
Ontem estava a explicar ao meu sobrinho que passados dois dias aqui em casa para recuperar da otite e da febre, já poderia regressar a casa da mãe. Começou por me dizer que ainda tinha dói-dói (segurando a orelha) e que por isso não podia ir à rua. Mais uma explicação das melhorias evidentes do seu estado clínico e da continuidade do tratamento por parte da mãe e a seguinte resposta:
- A tia consegue tratar!
Com esta ternura, ele é que me "trata".

24 novembro, 2010

A morte diariamente

Antes de adormecer penso sempre no difícil que será para ele a ideia de nunca mais ver o pai e o vazio instala-se até que adormeço na ambivalência do frio do gelo do pé e do quente do saco de água quente das mãos.

19 novembro, 2010

Dei por mim a ouvir-me dizer: "uma família nunca está completa"- faltam os que partiram e os que ainda não chegaram.

12 novembro, 2010

Notting for granted

Quando li a notícia da morte do senhor do adeus e da sequente homenagem voltei a pensar naquilo que somos em vida e no que passamos a ser depois de mortos.
A impressão que fui construindo é que a passagem pela morte conduz a pessoa a um estatuto superior, de quem já viveu o que a todos está reservado (mais tarde para uns, mais cedo para outros e agora para muitos). Nessa ascensão, mal de nós apontar os defeitos ou atrever a criticar o morto. Que criaturas tão pouco dignas! O inferno vos espera!
Este processo imediato, é tanto mais rápido quanto maior for o sofrimento suscitado pela descrição do tipo de morte. É uma espécie de "antes ele que eu" que dá mais uma rajada de ar para se respirar e se sentir vivo.
Em relação ao senhor, fico tão zangada por sentir que não deve ter tido a noção de que chegou a tantas pessoas com um aceno de despedida.
Será que há vazios individuais reactivados por esta perda que ao se tornarem colectivos tornam-se menos insuportáveis? Vão haver mais perdas e correm o risco de ver o vazio crescer ...

04 novembro, 2010

Ando intrigada - Parte II

Só aqui venho porque fiquei de vos confirmar qual a espécie de animal pertencente aos vizinhos. Hoje finalmente encontrei e perguntei, tendo confirmado a minha suspeita da existência de um gato e de um porco.
Palm Springs Real Estate